sexta-feira, 17 de abril de 2015

Koan


Koan

Era uma vez, um sábio que não era chinês e que tinha um discípulo como companheiro de suas longas caminhadas.

O diálogo entre os dois geralmente se dava entre perguntas e respostas. Perguntas essas do discípulo ávido de saber e no afã de encontrar a tal iluminação e das respostas pouco convencionais do mestre.

Certa ocasião o discípulo perguntou:

— Mestre, se o senhor encontrasse um discípulo cego, surdo e mudo, seus ensinamentos não valeriam de nada, estou certo?

E o mestre, apoiado em seu cajado disse ao discípulo:

— Faça uma reverência, e o discípulo não entendendo nada se abaixou; foi quando o mestre tentou acerta-lo com seu cajado. Assustado o discípulo pulou para trás quando o mestre falou:
— Você não é cego, chegue mais perto; e o discípulo ainda assustado, se achegou, quando o mestre disse:
— Viu!, você também não é surdo, entendeu?. E o discípulo, ainda mais assustado disse:
— Entendeu o que mestre?, quando o mestre disse:
— Viu!, você também não é mudo.

Conta a história que, instantes depois do episódio, o discípulo, entendendo profundamente aquela resposta, teria finalmente alcançado a iluminação.


E você caro leitor?!…

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Erva Daninha


Erva Daninha

Edward O. Wilson, um dos grandes biólogos do mundo, expressa de maneira simples a relação que nós humanos temos com a Terra:

“Se toda a humanidade desaparecesse, todos os demais seres vivos (exceto os animais de estimação e as plantas domésticas) se beneficiariam enormemente.

Florestas se recuperariam, espécies em extinção aos poucos reviveriam e de modo geral, toda a vida daria um suspiro de alívio por termos desaparecido.

Entretanto, se qualquer outra espécie importante desaparecesse, as formigas, por exemplo, os resultados seriam grandes extinções de outras espécies e provavelmente o colapso parcial de alguns ecossistemas.”

Toda a Terra sofreria se perdesse qualquer outra espécie, menos a humana.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O Segredo


O Segredo

Certa vez Deus chamou seus anjos mais próximos para uma reunião, e o assunto em pauta seria onde esconder o segredo do homem. Segredo esse, que se o homem descobrisse, se tornaria quase tão poderoso quanto o próprio Deus.

Um dos anjos sugeriu:

— Vamos esconder nas profundezas da terra!

E Deus disse:

— O homem é inteligente e vai conseguir perfurar a terra até achar o segredo.

Outro anjo disse:

— Então vamos esconder nas profundezas do oceano!

E Deus voltou a dizer:

— O homem com a sua inteligência vai conseguir nadar até lá.

Um outro anjo disse:

— Então vamos esconder no espaço sideral!

E mais uma vez Deus disse:

— O homem é muito inteligente e vai achar meios de voar até o segredo.



Fez-se um silêncio, visto que ninguém saberia onde esconder tal segredo, quando Deus falou:

— Vamos esconder dentro dele mesmo.

sábado, 11 de abril de 2015

A Estrela Fixa e o Cometa Errante


A Estrela Fixa e o Cometa Errante

A estrela fixa é bela, radiante e calma; ela respira os celestes aromas, e olha com amor as suas irmãs; vestida com sua roupagem esplêndida e a fronte ornada de diamantes, ela sorri, cantando o seu cântico da manhã e da tarde; goza um repouso eterno que nada poderia lhe perturbar, e caminha solenemente, sem sair do lugar que lhe é determinado entre as sentinelas da luz.

Contudo, o cometa errante, todo ensanguentado e desgrenhado, acorre das profundezas do céu; precipita-se através das esferas tranquilas, como um carro de guerra entre as fileiras de uma procissão de vestais; ousa afrontar as espadas flamejante dos guardas do Sol, e, como uma esposa apaixonada que procura o esposo sonhado pelas suas noites de viuvez, penetra até o tabernáculo do rei dos dias, depois foge, exalando os fogos que o devoram e arrastando atrás de si, um longo incêndio. As estrelas empalidecem ao seu aproximar, os rebanhos constelados que pastam flores de luz nas vastas campinas do céu, parecem fugir do seu sopro terrível. O grande conselho dos astros se reúne, e a consternação é universal. A mais bela das estrelas fixas é, enfim, encarregada de falar em nome de todo o céu e propor a paz ao mensageiro vagabundo.

Meu irmão – diz ela – por que perturbas a harmonia das nossas esferas? Que mal te fizemos e por que, em vez de errar ao acaso, não te fixas no teu lugar na corte do sol? Por que não vens cantar conosco o hino da tarde, enfeitado como nós, com uma roupa branca que se prende no peito por um broche de diamantes? Por que deixas flutuar, através dos vapores da noite, a tua cabeleira, da qual escorre um suor de fogo? Oh! se tomasses um lugar entre os filhos do céu, quanto parecerias mais belo! A tua fronte não ficaria mais inflamada pela fadiga de tua carreira inaudita; teus olhos seriam puros e tua fronte sorridente, seria branca e avermelhada como a de tuas felizes irmãs; todos os astros te conheceriam, e, longe de temer a tua passagem, se alegrariam ao teu aproximar, porque estarias ligado a nós pelos laços indestrutíveis da harmonia universal, e a tua existência seria mais uma voz no cântico do amor infinito.

E o cometa responde à estrela fixa:

Não creia, ó minha irmã, que possa errar ao acaso e perturbar a harmonia das esferas. Deus traçou meu caminho como o teu, e se a minha carreira te parece incerta e vagabunda, é porque os teus raios não poderiam estender-se tão longe para abarcar o contorno da elipse que me foi dada por carreira. A minha cabeleira inflamada é o fanal de Deus; sou o mensageiro dos sóis e fortaleço-me nos seus fogos para os partilhar no meu caminho aos novos mundos que ainda não tem bastante calor, e aos astros envelhecidos que têm frio na sua solidão, se me fadigo nas minhas longas viagens, se sou de uma beleza menos atrativa do que a tua, se o meu enfeite é menos virginal, não deixo, por isso, de ser como tu, um nobre filho do céu.

Deixa-me o segredo do meu destino terrível, deixa-me o espanto que me rodeia, amaldiçoa-me se não podes compreender-me, mas não deixarei, por isso de realizar a obra que me foi imposta e continuarei a minha carreira sobre o impulso do sopro de Deus! Felizes as estrelas que repousam e que brilham como jovens, na sociedade tranquila dos universos! Eu sou o proscrito que viaja sempre e tem o infinito por pátria. Acusam-me de incendiar os planetas que aqueço e de aterrorizar os astros que ilumino, censuram-me de perturbar a harmonia dos universos porque não giro ao redor dos seus centros particulares e os prendo uns aos outros, fixando meu olhar no centro único de todos os sóis. Fica, pois sossegada, bela estrela fixa, não quero tirar a tua luz tranquila, pelo contrário, esgotarei por ti a minha vida e o meu calor. Poderei desaparecer do céu quando me tiver consumido; a minha sorte terá sido tão bela!

Sabe... no templo de Deus ardem fogos diferente que lhe dão glória; tu és a luz dos candelabros de ouro, e eu a chama do sacrifício… realizemos os nosso destinos!

Acabando estas palavras, o cometa sacode a sua cabeleira, cobre-se com a sua couraça, e se lança nos espaços infinitos em que parece desaparecer para sempre.



                                                   Texto extraído do livro ” Dogma e Ritual da Alta Magia – Eliphas Levi

sexta-feira, 10 de abril de 2015

A Serenidade do Sábio


A Serenidade do Sábio

Quem sabe, cala

Quem fala, não sabe

O sábio vive calado,

voltado para dentro de si.

Suaviza o que é violento,

nivela-se com o que é singelo.

Assim conscientiza ele a Realidade.

Mantem-se equidistante de simpatia e antipatia.

Indiferente a lucro e perda.

Acima de louvor e vitupério.

É nisso que ele vê a verdadeira nobreza.



quinta-feira, 9 de abril de 2015

O Porteiro do Puteiro


O Porteiro do Puteiro

Não havia, no povoado, pior ofício do que ser “Porteiro do Puteiro”.Mas que outra coisa poderia fazer aquele homem?. O fato é que nunca tinha aprendido a ler nem escrever, e também não tinha nenhuma outra atividade ou ofício.

Um dia, entrou como gerente do puteiro um jovem cheio de idéias, criativo e empreendedor, que decidiu modernizar o estabelecimento. Fez mudanças e chamou os funcionários para as novas instruções…

Ao porteiro disse:
– A partir de hoje, o Senhor, além de ficar na portaria, vai preparar um relatório semanal onde registrará a quantidade de pessoas que entram e seus comentários e reclamações sobre os serviços.

– Eu adoraria fazer isso, Senhor – balbuciou o porteiro – mas eu não sei ler nem escrever!

– Ah! Quanto eu sinto!… mas se é assim… você não poderá mais seguir trabalhando aqui.

– Mas Senhor… não pode me despedir, eu trabalhei nisto a minha vida inteira, não sei fazer outra coisa.

– Olhe, eu compreendo, mas não posso fazer nada pelo Senhor. Vamos dar-lhe uma boa indenização e espero que encontre algo que fazer. Eu sinto muito… e que você tenha boa sorte.

Sem mais nem menos, deu meia volta e foi embora. O porteiro sentiu como se o mundo desmoronasse. Que fazer? Lembrou que no prostíbulo, quando quebrava alguma cadeira ou mesa, ele a arrumava, com cuidado e carinho. Pensou que esta poderia ser uma boa ocupação até conseguir um emprego.

Mas só contava com alguns pregos enferrujados e um alicate mal conservado.Usaria o dinheiro da indenização para comprar uma caixa de ferramentas completa. Como o povoado não tinha casa de ferragens, deveria viajar dois dias em uma mula para ir ao povoado mais próximo para realizar a compra.

E assim o fez. No seu regresso, um vizinho bateu à sua porta:

– Olá vizinho… será que você teria um martelo para me emprestar?.

– Sim, acabo de comprá-lo, mas eu preciso dele para trabalhar e …

– Tudo bem… eu lhe devolvo amanhã bem cedo

– Se é assim, está bom.

Na manhã seguinte, como havia prometido, o vizinho bateu à porta e disse:

– Olha, eu ainda preciso do martelo. Porque você não o vende para mim?

– Não, eu preciso dele para trabalhar e além do mais, a casa de ferragens mais próxima está a dois dias de mula de viagem….

– Façamos um trato – disse o vizinho. Eu pagarei os dias de ida e volta mais o preço do martelo, já que você está sem trabalho no momento.Que lhe parece?

Realmente, isto lhe daria trabalho por mais dois dias…aceitou!.
Voltou a montar na sua mula e viajou. No seu regresso, outro vizinho o esperava na porta de sua casa.

– Olá, vizinho. Você vendeu um martelo a nosso amigo. Eu necessito de algumas ferramentas, estou disposto a pagar-lhe seus dias de viagem, mais um pequeno lucro para que você as compre para mim, pois não disponho de tempo para viajar para fazer compras. Que lhe parece?

O ex-porteiro abriu sua caixa de ferramentas e seu vizinho escolheu um alicate, uma chave de fenda, um martelo e uma talhadeira. Pagou e foi embora. E nosso amigo guardou as palavras que escutara: “não disponho de tempo para viajar para fazer compras”. Se isto fosse certo, muita gente poderia necessitar que ele viajasse para trazer as ferramentas. Na viagem seguinte, arriscou um pouco mais de dinheiro trazendo mais ferramentas do que as que havia vendido. De fato, poderia economizar algum tempo em viagens. A notícia começou a se espalhar pelo povoado e muitos, querendo economizar a viajem, faziam encomendas.

Agora, como vendedor de ferramentas, uma vez por semana viajava e trazia o que precisavam seus clientes. Com o tempo, alugou um galpão para estocar as ferramentas e alguns meses depois, comprou uma vitrine e um balcão e transformou o galpão na primeira loja de ferragens do povoado.

Todos estavam contentes e compravam dele, e ele, não viajava mais, e sim, os fabricantes lhe enviavam seus pedidos. visto que ele era um bom cliente. Com o tempo, as pessoas dos povoados vizinhos preferiam comprar na sua loja de ferragens, do que gastar dias em viagens.

Um dia ele lembrou de um amigo seu que era torneiro e ferreiro e pensou que este poderia fabricar as cabeças dos martelos. E logo, por que não, as chaves de fendas, os alicates, as talhadeiras, etc.. E logo…, em poucos anos, nosso amigo se transformou, com seu trabalho, em um rico e próspero fabricante de ferramentas.

Um dia decidiu doar uma escola ao povoado. Nela, além de ler e escrever, as crianças aprenderiam algum ofício. No dia da inauguração da escola, o prefeito lhe entregou as chaves da cidade, o abraçou e lhe disse:

-É com grande orgulho e gratidão que lhe pedimos que nos conceda a honra de colocar a sua assinatura na primeira página do Livro de atas desta nova escola.

– A honra seria minha – disse o homem. Seria a coisa que mais me daria prazer, assinar o Livro, mas eu não sei ler nem escrever, sou analfabeto..

-O Senhor?!… – disse o prefeito sem acreditar. O Senhor construiu um império industrial sem saber ler nem escrever?… estou abismado!. Eu pergunto:- O que teria sido do Senhor se soubesse ler e escrever?

– Isso eu posso responder – disse o homem com calma. Se eu soubesse ler e escrever, ainda seria o Porteiro do Puteiro!!!.



Geralmente as mudanças são vistas como adversidades. As adversidades podem ser bênçãos. As crises estão cheias de oportunidades. 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Bico Fechado


Bico Fechado

Numa linda manhã de inverno, um passarinho começa a cantar,
e tamanha era sua felicidade, que não sentiu a neve caindo em
suas asas, e quando tentou voar, caiu no chão e lá permanecendo
com mais e mais neve caindo em cima dele.

Aquele seria seu fim, se não fosse um cavalo que resolveu cagar
em cima dele, e no meio do excremento do animal, ele se protegeu
da neve conservando-se aquecido.

Naquele mesmo dia, uma criança passeando, viu o passarinho no
meio do excremento do cavalo, e com muita delicadeza, conseguiu
tirar e limpar o passarinho.

E feliz da vida, começou a cantar novamente, só que ele não viu um gato
que o espreitava, e logo nos primeiros acordes, o gato num bote
certeiro, comeu o passarinho.

Moral da história:

“Nem todo mundo que te joga merda é seu inimigo. Nem todo 
mundo que te tira da merda é seu amigo. Portanto, se você se 
encontra na merda… quando sair, fique de bico fechado”


sábado, 4 de abril de 2015

A Vida


A Vida

Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silencio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira e pura enquanto durar. 
Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende.
                                                                                                                                  Cora Coralina

Sem Amor


Sem Amor

A inteligência sem amor, te faz perverso
A justiça sem amor, te faz implacável
A diplomacia sem amor, te faz hipócrita
O êxito sem amor, te faz arrogante
A riqueza sem amor, te faz avaro
A docilidade sem amor te faz servil
A pobreza sem amor, te faz orgulhoso
A beleza sem amor, te faz ridículo
A autoridade sem amor, te faz tirano
O trabalho sem amor, te faz escravo
A simplicidade sem amor, te deprecia
A oração sem amor, te faz introvertido
A lei sem amor, te escraviza
A política sem amor, te deixa egoísta
A fé sem amor te deixa fanático
A cruz sem amor se converte em tortura
A vida sem amor…não tem sentido...
É vazio!!!


quinta-feira, 2 de abril de 2015

O Urubu e o Pavão


O Urubu e o Pavão

Certa vez o Urubu foi conversar com o Pavão…

— Puxa, como esta vida é ingrata…, você é tão bonito mas não voa, já eu sou um perito em voar mas a minha aparência não ajuda muito. Acredito que um filhote nosso seria a criatura mais bonita da face da terra. Ele seria bonito como você e voaria como eu….

E com essa conversa mole o Urubu acabou se acasalando com o Pavão, e quando chegou o seu filhote, eles tomaram um susto ao ver um Peru.



Moral da história: 

"Agradeça sempre a sua situação atual, pois uma situação ruim, pode se tornar ainda pior"

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Sapiência Suprema


Sapiência Suprema

Inteligente é quem outros conhece;
Sapiente é quem conhece a si mesmo.
Forte é quem outros vence;
Poderoso é quem domina a si mesmo.
Ativo é quem muito trabalha;
Rico é quem vive contente.
Firme é quem vive em seu posto;
Eterno é quem supera a morte.
                                                                                                 Lao-Tsé